Versão preliminar da rota da viagem

agosto 19, 2008 by

Enquanto Filipe Navegador Calegário não faz um melhor.

O link para brincar nesse mapa: http://maps.google.com.br/maps?f=d&saddr=Recife,+Brazil&daddr=Arcoverde,+Brazil+to:Bu%C3%ADque,+Brazil+to:Arcoverde,+Brazil+to:Sert%C3%A2nia,+Brazil+to:Patos,+Brazil+to:Catingueira+-+PB,+Brasil+to:Juazeiro+do+Norte,+Brazil+to:Crato,+Brazil+to:Exu+-+PE,+Brasil+to:PE-585+%40-7.435926,+-40.032873+to:Araripina,+Brazil+to:Picos,+Brazil+to:Simpl%C3%ADcio+Mendes,+Brazil+to:S%C3%A3o+Raimundo+Nonato,+Brazil+to:Sobradinho,+BA,+Brazil+to:Petrolina,+Brazil+to:Serra+Talhada+to:Arcoverde,+Brazil+to:-7.928675,-34.804687+to:Recife,+Brazil&hl=pt-BR&geocode=5620627390162844373,-7.435926,-40.032873&mra=dpe&mrcr=17&mrsp=19&sz=6&via=10,19&sll=-7.798079,-38.62793&sspn=9.827952,14.150391&ie=UTF8&ll=-7.928675,-39.155273&spn=9.824874,14.150391&z=6

Mar de Sobradinho

julho 22, 2008 by

Rapaz, esse negócio de usina hidrelétrica é uma doidera mutcho louca. Quem já foi pra uma sabe do que eu tô falando, e quem não foi deve imaginar. São certamente as construções humanas mais faraônicas, talvez ainda mais do que as faraônicas verdadeiras. E num é que o tio (ou primo da tia, primo de décimo quinto grau, sei lá) do nosso Filipe Navegador Calegário é o gerente da usina? A gente nunca foi fã desse hábito que existe de privilegiar-se os conhecidos em coisas em que todos deveriam ser iguais (vulgo peixada), mas é fato que o rapaz tinha uma confiança um pouco maior no seu parente Lipinho e assim lhe deixou entrar em cada lugar da usina que eu vou te contar. Só faltou botar a gente dentro duma mangueirona e jogar a gente nas pás da turbina pra gerar energia. Ademais, por sorte ou, quiçá, pela vontade divina que tem dirigido essa viagem para as ocasiões e configurações mais inusitadas e sensacionais, uma das seis turbinas estava em manutenção e plenamente acessível a quatro pedestres brenheiros afortunados. Em proporção, é como dizer que a unha do dedinho do pé da Foshan Golden Buddha estava acessível a um punhado de preás.

Aí beleza, a gente viu como tudo funcionava em cada detalhe, ficando chapado com a magnitude daquilo tudo, e quando saímos daquele enorme mundo escondido sob o concreto, o sol malaco desde pixoto tinha dado uma pressa enquanto a gente não o via e já estava se despedindo. Putz, mais um pôr-do-sol fuderoso. A gente já tá até de saco cheio de tanta beleza. Mas tudo bem, a gente agüentou e ficou assistindo mais este, já que agora se tratava do impossível pôr-do-sol no mar do Brasil. O Mar de Sobradinho.

A usina é suficiente pra abastecer somente algo do porte de Salvador (um pouco mais que Recife) e já é uma doideira completa. Quero nem imaginar como é Itaipu.

No lado de baixo da usina, na continuação do Velho Chico, diz que acumulam-se milhares de peixes tentando subir o rio na época da reprodução. Centenas de garças e de mergulhões se aglomeram nas ilhotas de pedra e nas grandiosas torres de fiação elétrica, deleitando-se naquele banquete da presa fácil. Alguns humanos também se arriscam atrás do banquete mergulhando na saída da usina, que tem uns redemoinhos e umas correntezas absolutamente imprevisíveis. Quanto ao sucesso ou insucesso reprodutivo das populações de peixes (e, quem sabe, de outros seres vivos), sabe Deus o que acontece. Dizem que Sobradinho foi construída antes de existir uma preocupação nacional com a preservação da biodiversidade (1970 ou um pouco depois) e por isso não se construiu nenhuma escada de peixe ou outra estrutura para mitigar o impacto da usina.

Estamos em Petrolina, curtindo a rachadura de lábio dessa secura de ar da bixiga e o inédito conforto de um apartamento quase só nosso (o que é do Gêibou é do Inho, o que é do Inho é nosso. hi hi HE HE HA HA), num gostoso clima de fim de viagem. Viagem é aquele negócio né, é muito bom quando começa, muito bom no meio e muito bom quando termina. É a fraca, a tal da viagem!

Entrada da Barragem

Entrada da Barragem

Filipe e George

Filipe e George. Uma das máquinas geradoras de energia.

Um andar abaixo.

Um andar abaixo.

Dentro da Sala em Espiral.

Dentro da Sala em Espiral.

Do lado de fora. Atrás os transformadores.

Do lado de fora. Atrás os transformadores.

As comportas.

As comportas.

Torre de Transmissão.

Torre de Transmissão.

um mundão de água

Barragem atrás da gente: um mundão de água

Fotênhas – 2ª parte

julho 22, 2008 by
Mais escadas

Mais escadas

Pedra Furada

Pedra Furada

Montagem?

Montagem?

É... Eles também beijavam...

É... Eles também beijavam...

S�mbolo do Parque Nacional Serra da Capivara

Símbolo do Parque Nacional Serra da Capivara

Paredão com pinturas rupestres

Paredão com pinturas pré-históricas

Boooraa, Indiana!

Boooraa, Indiana!

Canoas

Canoas

Que moral!

Que moral!

Brenhas

Brenhas

Djalma, o Elegante!

Djalma, o Elegante!

Inho Bolseiro de Bolsão

Inho Bolseiro de Bolsão

De São Raimundo Nonato para Petrolina. Caminho longo de estradas esburacadas…

BR-235, a melhor de todas!

BR-235, a melhor de todas!

Uma estrada de terra que chamam de BR-235

Uma estrada de terra que chamam de BR-235

Lua arretada, bem em cima de Petrolina

Lua arretada, bem em cima de Petrolina

Fotênhas – 1ª parte

julho 21, 2008 by
De Araripina para Picos - 1ª parte

De Araripina para Picos

Casa de Farinha

Casa de Farinha

Dona Maria

Dona Maria

Temperos da Feira

Temperos da Feira

PI-234 - De Picos para São Raimundo Nonato

PI-134 - De Picos para São Raimundo Nonato

Boizim da Pista

Boizim da Pista

Paredão de areia e seixos

Já na Serra da Capivara

Paredão de areia e seixos

.

Booora, alpinista!

Booora, alpinista!

Escadas nas pedras

Escadas nas pedras

De alma

julho 21, 2008 by

O último dia em Picos foi bem melhor do que esperávamos. A cidade é quente e seca feito uma sauna dentro de um fusca fechado com uma fogueira de São João do lado (fomos na época fria, vale ressaltar). E tudo piorava pois tínhamos passado uma noite de Beto Carreiro (chicotinho pra tudo o que é lado) . Pois bem, por que foi melhor? Porque fomos pra feira. Aí é lugar moral demais pra se conhecer gente. Meio mundo de gente e mundo e meio de farinha de mandioca, doce de buriti, doce de leite, rapadura, bolo barra branca, jaca em compota, batata doce e batata alienígena, mel com favo, queijo coalho, queijo manteiga e um bando de tempero colorido e cheiroso e saco de semente que a gente ficava metendo a mão e cheirando pro desespero dos feirantes gente boa. Aí lá compramos na banca de Biu uma barra de rapadura que ele quebrou pra gente ir comendo feito biscoito, um talho de queijo manteiga que a gente se esqueceu de comer e virou massa encefálica branca podre e mel mais banana. Era o nosso almoço até a Serra da Capivara junto com Cajuína São Geraldo que só não é o melhor refrigerante de todos os tempos junto com o Jesus do Maranhão (rosa, o líquido, não o Jesus) porque a Coca Cola faz artimanha contra e não deixa eles venderem muito. Antes de falarmos da Serra da Capivara vale – mais que tudo – falar de mais uma pessoa que conhecemos nessa viagem. Dona Maria, cega cantora da feira. Quando a vi, a preocupação foi em conhecê-la sem explorar sua condição ou fazer perguntas irrisórias. Mas também gostaria de saber quem era ela, e aí busquei fazer o que creio que todo mundo deveria fazer. Sentei e conversei bem direitinho. Me apresentei e conversamos. Gravei algumas perguntas, algumas imagens e pudemos saber mais sobre a vida de quem perdeu a visão com três anos mas além de cega era dona Maria. Sacaram? Existe uma diferença no foco e no conteúdo.
Indo pra Serra da Capivara foi coisa linda de Deus. Trilhas fuderosíssimas com paisagens que ficar falando não adianta (melhor vocês comprarem o livro que já soma 358 páginas). Resumindo, é como se você pegasse aquelas imagens que sempre vê em programas “discovery” multiplicasse por um número alto e colocasse de verdade na sua vida, com você lá, sentido o cansaço de ter chegado sob o sol, pedras, espinhos, brigas, choros, abraços, quedas, cortes e brenhas, colocando quatro amigos fuderosíssimos juntos. A paisagem é complemento, não ponto final. E lá no alto, no último dia dessas caminhadas pelo Piauí, depois de 1600 km de cidades, paisagens e de todos os nossos corações e almas que se modificaram através de incontáveis pessoas e aprendizados, enterramos, cada um, uma carta. Elas serão abertas daqui a 20 anos, quando refizermos a viagem, ou diante do falecimento de um de nós (que não acontecerá). Nela, colocamos expectativas para o futuro, filhos, família, mundo, impressões da viagem e de nossas vidas atuais, como somos e talvez como gostaríamos de nos encontrar no futuro. E que ele seja tão ou mais feliz como foi o presente dessa viagem.

De Alma

De Alma

Noob quitter (Xoxêro!)

julho 18, 2008 by

E o primeiro gigante tombou. Após dez dias de viagens, muitas lágrimas, arengas e – mais que tudo -  risadas, Manel pediu pra cagar em Recife. Saudades da Boyza e de mainha fizeram ele dizer que ia comprar pão e ligar só de dentro do ônibus, já a caminho de casa, para que não pudéssemos amarrá-lo no carro ou chicoteá-lo com uma jeba de jumento. Ficam as saudades, quatro cuecas sujas (uma delas “freada”) e os cds de bruno e marrone. Vai com Deus manel, fela da puta.

Adeus, Frei Damião

XAU, XAu, Xau, xau!

A vingança do bode guizado

julho 18, 2008 by

Não que seja uma coisa rara de se acontecer, mas ontem de tarde já tava sentindo que a intensidade e a frequência tavam aumentando. Lugares fechados são os piores! A situação fica realmente calamitosa. Com certeza tinha alguma coisa mais forte no ar. Para a surpresa da gente, não era apenas um que dizia: “Fui eu, pessoal. Foi mal!”. E mais abismado ficamos quando vimos que todos estávamos com uma grande dor de barriga, calafrios pesados e uma vontade danada de ir pro banheiro. É, tinha alguma coisa errada…

Toda a vez que se tá naquela situação, sentado, pensativo e apreensivo (“Porra, como é que eu vou me limpar!”) quase que automaticamente se faz uma retrospectiva de tudo o que se comeu pra tentar (mesmo que em vão) entender o que está acontecendo. E duas coisas ficaram na minha cabeça: queijo ralado da batatinha e o bode guizado do almoço. Depois de sair do primeiro round e incensar todo o quarto, descobri que todos tinham pensado nas mesmas coisas!

Pois é, passamos uma noite de rei. Na verdade, reis. Reis brigando por um mesmo trono! Foi difícil, mas estamos vivos! Lucas e Guiminha empatados com 4 rounds no banheiro (Guiminha nocauteado na cama descansando agora), eu com 3 rounds (um de 4:30 da manhã) e Inho com 1 round. Manelzinho também sentiu as pontadas do bode no seu bucho e nos informou que foi 3 vezes pro banheiro.

Já estamos tomando muita água, e tentando recompor nossa flora intestinal com Saccharomyces boulardii (famoso Floratil). E vamos ainda hoje sair daqui de Picos para Cel. José Dias, cidade mais próxima da Serra da Capivara. Mais um Parque Nacional que vamos desbravar e cagar.

Beijos e abraços pra todo mundo que tá acompanhando essa nossa jornada. Tá sendo muito, muito, muito foda. Cada dia é uma coisa diferente e a sensação é que o dia por aqui tem mais horas, acontecem muito mais coisas.

Mais fotos

julho 18, 2008 by
Umas que a gente gostou, e que não tivemos tempo de postar.
Feira de Sertânia

Feira de Sertânia

Davi, Lucas, Guiminha, Manel e Lipinho.

Davi, Lucas, Guiminha, Manel e Lipinho.

Sarados.

Sarados.

Boooora, Djalma!

Boooora, Djalma!

Pelas brenha...

Pelas brenha...

Entrando no Ceará.

Entrando no Ceará.

Dona Anita sabe tudo de Padim Ciço e Lampião.

Dona Anita sabe tudo de Padim Ciço e Lampião.

Voltando a Pernambuco.

Voltando a Pernambuco.

Neblina no topo da Chapada do Araripe.

Neblina no topo da Chapada do Araripe.

Trecho do livro “Pelas Brenha” , página 125.

julho 18, 2008 by

“Se eu pudesse descrever os últimos dias dessa viagem, eu diria que eles foram sobretudo de emoção. Para mim, Luiz Gonzaga é uma das poucas, mas fortes, raízes culturais que me ligam ao nordeste do país. Nunca fui forrozeiro daqueles que enlouquecem mas sempre adorei suas músicas e minha mãe – em especial – me mostrou dos vinis aos cds boa parte de suas composições, transformando-o em parte de minha cultura musical, com letras inteligentes e bonitas ( e um ritmo pôco bom!!!). Além disso, durante minha adolescência, antes de desistir em um mês de aprender sanfona, passei a ler sobre a vida dele e descobri que o camarada era gente boa demais, fazia shows tanto pra ricos, em  salões, quanto de graça, nos pátios de cidades do interior.E esses últimos também eram muitos. Cantava – sobretudo – pro povão. E o povão adorava vê-lo falar sobre o amor, o chamego, a seca, a política e tudo mais. Realidades não tão próximas da minha mas que me interessavam muito, me faziam pensar e gostar dele como um grande professor de uma época, querido por um povo que – a julgar pela experiência que tinha com meus tios e avós do sertão e capital – o tinha como um grande difusor de felicidade. felicidade. Indo pra Exu, pensava o que um camarada que tinha morrido há tanto tempo representava pra tanta gente. Pensei no que li da sua morte, que  fez de uma cidade do interior uma procissão de tristeza. Pensei nos imigrantes nordestinos em São Paulo, nos nordestinos fudidos no nordeste.  De certa forma, eu iria estar próximo da vida de uma pessoa que – se não for lembrada daqui a mil anos – se fez lembrada tão intensamente por milhões de pessoas que adjetivar sua importância é irrisório. Paramos na frente do seu túmulo. Pedimos a benção. Calados, e tremendo, tocamos Asa Branca. Nossa idéia veio do coração, num agradecimento a quem nunca teremos dimensão  exata de quem foi. O homem que dava voz a vida de tanta gente, e de nossa viagem em inúmeras vezes, estava na nossa frente. E depois do silêncio bonito que seguiu aquela música, de uma energia fuderosamente fuderosa, fechamos o fole. guardamos o triângulo, o pandeiro, o violão, o pífano. Olhei pra filipe que quase chorava, pra davi se tremendo, pra guiminha e manel felizes pra caralho. Exu já tinha valido  a pena. e a gente mal tinha chegado”

Shuffle Life

julho 18, 2008 by
Estamos agora em Picos, Piauí. Os últimos 3 dias têm sido muito corridos, com somente uma noite dormida em cada cidade. Temos passado, portanto, muito tempo na estrada.

Em Catingueira, pela manhã, ainda fomos visitar uma família encantadora que mora no sítio da família do Inho, no pé da Serra da Catingueira. De Catingueira partimos para oeste (levemente sudoeste) em direção a Juazeiro do Norte, uma das três cidades do trio do Cariri.

Juazeiro do Norte é um saco. No fundo me sinto um pouco preconceituoso de dizer isso, pelo fato de termos passado cerca de impressionantes 15 horas lá, 7 das quais foram de sono e 2 das quais foram de conserto do tanque de combustível. Pois é, a porra do tanque furou. Mas o fato é que é a cidade tem uns 300 mil habitantes (3x Patos, tipo Campina Grande) e já tem síndrome de cidade grande. A Rua São Pedro, centro comercial da cidade, é uma mistura de Casa Amarela com Bombaim. Em cada metro quadrado da avenida tem uma moto ou uma bicicleta.

À noite fomos beber uma Cajuína São Geraldo e uma cervejinha gostosa com uns tira-gostos exóticos (tipo arraia, vatapá e panelada (eeeeergh) ). A impressão era de que estávamos em Recife, com direito a medinho bizarro de ser assaltado e ter o carro arrombado. Lucas sentou numa mesa do bar (na verdade, da rua) em que tinha que se esquivar dos caminhões que vinham a 40 por hora. O que valeu a noite foram as histórias da dona da pousada em que ficamos, Dona Anita, senhora de idade cheia de causos para contar sobre o Padre Cícero e Lampião.

Pela manhã, fomos para o Horto, onde se encontra a estátua do venerado Padim Ciço. De fato, Juazeiro do Norte é praticamente um Padim Ciço gigante, com 5 miniaturas suas em cada lojinha ou boteco. Os arredores da Estátua grandona, que fica em cima de uma serrinha adjacente à cidade, são na verdade um tanto deprimentes, fartos de crianças habituadíssimas a pedir, pedir e pedir. Rola um ataque aos turistas e religiosos meio trash lá, já que milhares de pessoas vão lá todo ano pedir proteções e pagar promessas.

Saindo de Juazeiro do Norte, subimos a Chapada do Araripe – fascinante -, que tem uma Floresta Nacional lindíssima na sua subida. A chapada é realmente achatada no topo (o que pôde ser verificado por Filipe Navegador Calegario e seu GPS. Mas um negócio impressionante mesmo pra quem tá acostumado a regiões cheias de acidentes e irregularidades topológicas, e até mesmo pros que tão acostumados com planícies ao nível do mar. Gigante o negócio, com direito a uma estrada retíssima por mais de 100km.

Exú é num pé de serra danado de bonito, logo descendo a Chapada. Aí vem a parte quentche da viagem, rapaz. E num é que esse bando de forasteiro metido a besta oriundo de um lugar tão distante e cheio de uns hábitos tão de cidade grande foram inventar de tocar Asa Branca diante do túmulo do Rei do Baião? O negócio foi forte, acho que Luiz Gonzaga gostou e mandou uma energia muito louca pra gente lá em cima, que deixou todo mundo tremendo na base. Ah! e Lipinho se cagando com medo de errar diante do mestre foi impagável.

Exú é muito bonitinha, mas mais bonitinho ainda foi a recepção que nos deram lá. A empregada da casa de Lipinho tinha lhe pedido que buscasse lá um tal de “uma coisinha” com a sua prima, mas a gente não tinha a mínima noção de como encontrá-la. De repente chega a moça na janela do carro, enquanto a gente tava fazendo uma pesquisa rápida nas pousadas da cidade: “Você que é Filipe?”. Aí pronto, era a tal da moça e a gente começou a prosear com ela. Quando ela, a nossa agora querida Lana, soube que a gente ia ficar numa pousada, indignou-se e insistiu pra que ficássemos na casa dela, até que a gente teve que aceitar. né?! \o/ Era ela, o marido super tranquilo e os três filhos gente boa: Marquinhos, o maior contador de piadas do Exú; Tiaguinho, o Lucas Cardim do Sertão (pirador do mulherio); e Bruno, o mais velho. De noite, filminho e churrasquinho na frente da fogueira, a céu aberto, com vista pra uma ligeira silhueta da Chapada do Araripe. Na hora de dormir, cinco colchões onde só cabia quatro, mas foi massa. Levar a tal “coisinha” pra Recife será um décimo da retribuição que deveríamos dar àquela hospitalidade – a cinco, lembro, e não um ou dois, visitantes.

Agradecidos, partimos pra cá – Picos -, via Chapada do Araripe mais uma vez, com direito a uma neblina arretada. Passamos, no caminho, por uma carvoaria bem interessante à beira da estrada e também por Araripina – pólo gesseiro de Pernambuco. Em seguida, mais uma divisa atravessada, mais um estado visitado e, de repente, uma casa de farinha em pleno funcionamento à beira da estrada pedindo pra ser visitada, fotografada e filmada. Depois, Picos, uma cidade do porte de Patos (graande) só que bem menos organizada, também com um centro da cidade confuso e tumultuado. Dizem que é a cidade mais quente do Brasil; vamos descobrir amanhã pela manhã se é verdade ;)

Paisagens talvez menos paradisíacas do que a do Açude do Cego em Catingueira ou do que as vistas fascinantes do Vale do Catimbau, mas certamente enriquecedoras na mesma medida. Conhecer um matadouro, uma casa de família, uma noite de exuenses ou uma casa de farinha nos deixa tão satisfeitos quanto conhecer um Parque Nacional ou as Cataratas do Nicarágua. Afinal, nosso lema é ROOOOOOOOTS!

Juazeiro

Juazeiro

 

 

Fole de Luiz Gonzaga. É o fraco!

Fole de Luiz Gonzaga. É o fraco!

 

 

Contadores de causos

  

Lana, seu Edivan e os meninos

Lana, seu Edivan e os meninos

Mausoléu de Luiz Gonzaga

Mausoléu de Luiz Gonzaga

Forno de Carvão

Forno de Carvão

Joelma e Chimbinha

Joelma e Chimbinha

 


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.