“Se eu pudesse descrever os últimos dias dessa viagem, eu diria que eles foram sobretudo de emoção. Para mim, Luiz Gonzaga é uma das poucas, mas fortes, raízes culturais que me ligam ao nordeste do país. Nunca fui forrozeiro daqueles que enlouquecem mas sempre adorei suas músicas e minha mãe – em especial – me mostrou dos vinis aos cds boa parte de suas composições, transformando-o em parte de minha cultura musical, com letras inteligentes e bonitas ( e um ritmo pôco bom!!!). Além disso, durante minha adolescência, antes de desistir em um mês de aprender sanfona, passei a ler sobre a vida dele e descobri que o camarada era gente boa demais, fazia shows tanto pra ricos, em salões, quanto de graça, nos pátios de cidades do interior.E esses últimos também eram muitos. Cantava – sobretudo – pro povão. E o povão adorava vê-lo falar sobre o amor, o chamego, a seca, a política e tudo mais. Realidades não tão próximas da minha mas que me interessavam muito, me faziam pensar e gostar dele como um grande professor de uma época, querido por um povo que – a julgar pela experiência que tinha com meus tios e avós do sertão e capital – o tinha como um grande difusor de felicidade. felicidade. Indo pra Exu, pensava o que um camarada que tinha morrido há tanto tempo representava pra tanta gente. Pensei no que li da sua morte, que fez de uma cidade do interior uma procissão de tristeza. Pensei nos imigrantes nordestinos em São Paulo, nos nordestinos fudidos no nordeste. De certa forma, eu iria estar próximo da vida de uma pessoa que – se não for lembrada daqui a mil anos – se fez lembrada tão intensamente por milhões de pessoas que adjetivar sua importância é irrisório. Paramos na frente do seu túmulo. Pedimos a benção. Calados, e tremendo, tocamos Asa Branca. Nossa idéia veio do coração, num agradecimento a quem nunca teremos dimensão exata de quem foi. O homem que dava voz a vida de tanta gente, e de nossa viagem em inúmeras vezes, estava na nossa frente. E depois do silêncio bonito que seguiu aquela música, de uma energia fuderosamente fuderosa, fechamos o fole. guardamos o triângulo, o pandeiro, o violão, o pífano. Olhei pra filipe que quase chorava, pra davi se tremendo, pra guiminha e manel felizes pra caralho. Exu já tinha valido a pena. e a gente mal tinha chegado”
Julho 18, 2008 às 1:57 am |
Viajei, estive em todos os lugares que vocês passaram e estou encantada. Vamos juntar todo o material e proporcionar para muitos a oportunidade de conhecer a nossa terrinha.
Beijos
Julho 18, 2008 às 2:42 am |
ei, querem me fazer chorar digam logo
PS: vcs escrevem poco bem, porra!
Julho 18, 2008 às 6:42 am |
Fuderoso! Simplesmente fuderoso!!
Aproveitem bem! Essa é com certeza uma oportunidade única!
Abraços!
Julho 18, 2008 às 6:44 am |
Pra falar a verdade, “conhecer” é sempre uma oportunidade única!
Conheçam tudo que puderem por aí! Desbravem nossa terra e voltem com os tesouros no coração e na alma!
Abraços pra vocês todos!
Julho 19, 2008 às 12:52 am |
caramba…..façam logo a reserva do meu exemplar do livro, pra depois num ficar dizendo”Ah, num deu pra quem quis…”
Julho 22, 2008 às 1:00 am |
Muito bonito. Esse seu texto tá muito bão. Viva o nordeste, o nordestino e Luis Gonzaga. Viva vocês. Já passei por alguns locais que vcs passaram, tenho uma foto igualzinha no Pe Ciço. O vale do Cariri é mui lindo. Só não achei as fotos do vale do catimbau que sou louca prá conhecer. Curtam bem muito, pena que está acabando não? Beijos mil