Mar de Sobradinho

By guimex

Rapaz, esse negócio de usina hidrelétrica é uma doidera mutcho louca. Quem já foi pra uma sabe do que eu tô falando, e quem não foi deve imaginar. São certamente as construções humanas mais faraônicas, talvez ainda mais do que as faraônicas verdadeiras. E num é que o tio (ou primo da tia, primo de décimo quinto grau, sei lá) do nosso Filipe Navegador Calegário é o gerente da usina? A gente nunca foi fã desse hábito que existe de privilegiar-se os conhecidos em coisas em que todos deveriam ser iguais (vulgo peixada), mas é fato que o rapaz tinha uma confiança um pouco maior no seu parente Lipinho e assim lhe deixou entrar em cada lugar da usina que eu vou te contar. Só faltou botar a gente dentro duma mangueirona e jogar a gente nas pás da turbina pra gerar energia. Ademais, por sorte ou, quiçá, pela vontade divina que tem dirigido essa viagem para as ocasiões e configurações mais inusitadas e sensacionais, uma das seis turbinas estava em manutenção e plenamente acessível a quatro pedestres brenheiros afortunados. Em proporção, é como dizer que a unha do dedinho do pé da Foshan Golden Buddha estava acessível a um punhado de preás.

Aí beleza, a gente viu como tudo funcionava em cada detalhe, ficando chapado com a magnitude daquilo tudo, e quando saímos daquele enorme mundo escondido sob o concreto, o sol malaco desde pixoto tinha dado uma pressa enquanto a gente não o via e já estava se despedindo. Putz, mais um pôr-do-sol fuderoso. A gente já tá até de saco cheio de tanta beleza. Mas tudo bem, a gente agüentou e ficou assistindo mais este, já que agora se tratava do impossível pôr-do-sol no mar do Brasil. O Mar de Sobradinho.

A usina é suficiente pra abastecer somente algo do porte de Salvador (um pouco mais que Recife) e já é uma doideira completa. Quero nem imaginar como é Itaipu.

No lado de baixo da usina, na continuação do Velho Chico, diz que acumulam-se milhares de peixes tentando subir o rio na época da reprodução. Centenas de garças e de mergulhões se aglomeram nas ilhotas de pedra e nas grandiosas torres de fiação elétrica, deleitando-se naquele banquete da presa fácil. Alguns humanos também se arriscam atrás do banquete mergulhando na saída da usina, que tem uns redemoinhos e umas correntezas absolutamente imprevisíveis. Quanto ao sucesso ou insucesso reprodutivo das populações de peixes (e, quem sabe, de outros seres vivos), sabe Deus o que acontece. Dizem que Sobradinho foi construída antes de existir uma preocupação nacional com a preservação da biodiversidade (1970 ou um pouco depois) e por isso não se construiu nenhuma escada de peixe ou outra estrutura para mitigar o impacto da usina.

Estamos em Petrolina, curtindo a rachadura de lábio dessa secura de ar da bixiga e o inédito conforto de um apartamento quase só nosso (o que é do Gêibou é do Inho, o que é do Inho é nosso. hi hi HE HE HA HA), num gostoso clima de fim de viagem. Viagem é aquele negócio né, é muito bom quando começa, muito bom no meio e muito bom quando termina. É a fraca, a tal da viagem!

Entrada da Barragem

Entrada da Barragem

Filipe e George

Filipe e George. Uma das máquinas geradoras de energia.

Um andar abaixo.

Um andar abaixo.

Dentro da Sala em Espiral.

Dentro da Sala em Espiral.

Do lado de fora. Atrás os transformadores.

Do lado de fora. Atrás os transformadores.

As comportas.

As comportas.

Torre de Transmissão.

Torre de Transmissão.

um mundão de água

Barragem atrás da gente: um mundão de água

4 Respostas para “Mar de Sobradinho”

  1. guimex Disse:

    Faltou dizer que a gente tá usando as mesmas cuecas e meias há dois dias( tão sebosas po, existe isso não). Só quem escapa é lipinho, que só não trouxe a mãe porque não coube.

    Lucas

  2. Maria Disse:

    Huuuuuuum, luquinha fez a barba =D lindão!!!

  3. Edgar Disse:

    Ei po!! Pq vcs nao fazem um mapa no Google Maps com a rota que voces seguiram e publicam o link aqui?

    Abraçao!!

    ps: inveja dukarai! essa viagem deve ter sido pôco arretada!!!

  4. joão Disse:

    eu já fui!
    fiz o passei otambém!
    é bem bonito mesmo mas ir contigo ia ser mais engraçado, cardumi.

Deixe uma resposta