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Nossa trilha sonora

Julho 15, 2008
Ahááá!

Ahááá!

Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei

Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E alegria no coração.

Mar e terra
Inverno e verão
Mostra o sorriso
Mostra a alegria
Mas eu mesmo não
E a saudade no coração

Sunset Riders

Julho 15, 2008

Catingueira é genial. Não que ela como cidade tenha consciência disso, mas é, parece feita a mão por um especialista em maquetes gigantes talentoso. O Cabra colocou um climinha gostoso, uma serra gigantesca pra fazer sombra e lembrar a gente da grandeza da natureza do ladinho da cidade. Desenhou um punhado de ruas largas, plantou um monte de árvore sombreira e mandou morar aqui um bando de gente boa, no sentido puro da palavra.

Sem rasgar seda, Catingueira encanta.

Depois de uma amostra grátis da vida paterna com as crianças de Biu, chegamos em casa, jantamos o que seria o almoço, feito com capricho inesquecível por Dona Maria e fomos dormir, mas nao deu…

Deitado na rede, eu (Emmanuel) me entupi de repelente OFF (um cadin de muriçoca tem por aqui) e começei a passar mal. Comoção geral da galera, um liga pra 0800, outro vai no posto fechado de saúde, outro liga pra painho, me emocionei com o desespero controlado dos caras. No quase-fim das coisas, a intoxicação começou a aliviar e eu sosseguei, ainda bem. Horrível e bom, porque durante a recuperação, passeamos pela cidade as 3 e pouca da manhã pra tomar um vento e no caminho vimos uma lebre, escrotinha no mei da rua, não preciso dizer que guiminha pirou, só faltou querer abraçar a bixinha, literalmente.

A manhã trouxe nada, porque passamos direto dela e só acordamos ao meio dia. Dia de conhecer o Açude do Cego, uma penca d´agua com 7km quadrados, no meio do sertão da Paraíba. Geladinha, debaixo do sol da Paraíba. Na beira do açude tem um bar, o bar do Seu Né, pessoa simpática que há 30 anos vive com a família na beira do açude. Ali almoçamos uma tilápia crocante bem assadinha com seu gostinho de terra característico e um pirãozinho. Depois mergulhamos no bixão, um banho danado de refrescante, tanto pro quengo quanto pra alma.

Desse passeio saíram fotos boas e bizarras, filmagens boas e bizarras (que vocês verão em breve) e a certeza da volta.

5 e poca da tarde, minutos pro “pôr-do-sol MAIS LINDO DO MUNDO” segundo o nativo Inho, saímos apressados contando os segundos pra nao perder esse presentinho de catingueira, que era melhor visto no sítio da família do Inho. Chegando lá, só um comentário vale: realmente.

Empata com qualquer pôr-do-sol que qualquer um de vocês tenha chamado de “o mais lindo pôr-do-sol”, isso é certeza. Foi daqueles eventos que servem de waypoint pra amizade: o rei lá escorregando pela serra, pedindo licença pra dormir. Licença dada, tem coisa que merece.

A intenção é acordar antes do nascer do sol amanhã e subir a serra, enfrentar as onça-bodeira (que come apenas bode, segundo nosso biólogo, em pesquisa de campo) pra gravar na memória e nos memory cards outro espetáculo do Seu Sol.

Tá todo mundo bem, saudável, feliz, numa constante celebração da vida e suas demonstrações de que ela deve ser vivida. Mas tem outra coisinha que já virou coisa e tá se transformando em coisão: a saudade. Falo com propriedade e tenho certeza de que os outros dois companheiros que deixaram amores nas terras daí me autorizam a dizer: tudo isso é lindo, mas se vocês estivessem aqui, seria maravilhoso. Mais, seria alguma palavra que eu estou a 13 minutos tentando escrever mas acabo de chegar a conclusão que não existe, logo, acho que se vocês estivessem aqui, o mundo ia explodir em alegria.

Papais, mamães e famílias, fiquem cientes de que a saudade de vocês tá implícita em cada olhar que a gente dá, sugiro que se preparem porque faremos com vocês essa mesminha viagem assim que voltarmos.

Gunther

Último dia em Sertânia

Julho 14, 2008

No nosso último dia em Sertânia, a gente se deixou perder bastante tempo, deixando a nossa lan house particular (o computador do nosso quarto) sugar nosso tempo. Porém, com o que sobrou, podemos conhecer o Mercado de Carnes em plena atuação, assim como a feira da cidade, que se estende pelas várias ruazinhas da cidade. Filipe aproveitou o passeio para quase entrar em uma briga política, por usar camisa vermelha no meio da passeata do partido amarelo. Enquanto isso, Guiminha agonizava em casa com sua recém adquirida amigdalite. Sozinho. Triste. “Milena, cadê você?”

Depois disso, foi levantar acampamento e partir para encontrar Tio Fernando e Tia Maria do Carmo no Restaurante Rinha do Galo, que seria nosso almoço de despedida. E foi aí que começou a sequência de milagres que tornaram o dia de ontem muito especial.

Milagre 1: enquanto estávamos à mesa, ouvindo a histórias hilárias de Tio Fernando, Manel foi ligar para Wanessa pela enésima vez e voltou trazendo o apito perdido de Lucas. Um dos cinco apitos (mágicos) que Zé Bezerra nos deu no Vale do Catimbau, e que sequer sabíamos que estava perdido. Até lá, só o de Davi estava sabidamente sumido, em algum lugar das trilhas que a gente fez com Vô Sinésio. O apito de Lucas caíra do carro quando pela primeira vez pisamos em solo sertaniense, no mesmo restaurante em que almoçamos dois dias depois. Milagre do carai!

Milagre 2: depois do farto almoço, e das histórias de Tio Fernando e Tia Maria do Carmo, a gente ficou conversando na frente do restaurante. Alguns hesitavam quanto a abandonar aquelas mordomias, e enfiar-se novamente na latinha de sardinha que usamos como carro. E foi aí que apareceu um dos funcionários do restaurante, perguntando: “vocês deixaram algum celular aqui da outra vez que vocês vieram?” Pois não é que se tratava do celular de Guiminha (quem mais?)! Outro milagre do carai!

Milagre 3… esse é hors concours. Como já dissemos, o apito de Davi estava sabidamente sumido no meio da caatinga sertaniense. E nosso último objetivo em Sertânia era, nada mais nada menos que, partir em busca do apito perdido!

Parecia impossível. Davi lembrava em qual trilha o apito tinha caído, o que reduzia o espaço de busca para uns… 120 metros, de acordo com o GPS de Filipe “Navegador” Calegario. E tinha chovido. E no meio da busca, uma garoa fina voltou a cair. E o apito é da cor da madeira. Enfim, eram inúmeras as dificuldades. Mas, com nosso trabalho em equipe, nossa agilidade… o apito foi milagrosamente recuperado! Milagre! Com um grito ensurdecedor de Guiminha, no meio da mata: “ACHEI! ACHEI, PORRA!”, que fez todos os calangos num raio de 300 metros fugirem com medo.

Emocionante. Fantástico.

Estamos em Catingueira há umas 24 horas, agora. E tem sido ótimo. Passamos o dia no sítio, brincando com a família de Biu, o caseiro. Crianças maravilhosas. Hoje a gente não fez nenhum registro, nem foto nem vídeo, e ficou tudo na vista. Mas agora a lan house tá fechando, e fica para amanhã mais histórias dessa cidadezinha miúda, no meio do sertão da Paraíba.

Os enamorados aproveitam o ensejo para informar que se doem de saudade de suas respectivas. Cortes no roteiro planejado já estão em estágios avançados de negociação, visando mitigar esse problema.

Abaixo, as fotos.

Cristina Cazuza, 73 anos, falando muito.

Cristina Cazuza, 73 anos, falando muito.

Almoço com Tio Fernando e Tia Maria do Carmo

Almoço com Tio Fernando e Tia Maria do Carmo

Em busca do apito perdido

Em busca do apito perdido

Inferno e Céu

Julho 12, 2008

A idéia hoje era levar Guiminha para conhecer o Mercado de Carnes, mas uma coisa levou a outra, e a gente acabou indo parar no Matadouro Público de Sertânia. E foi uma experiência que exigiu muito dos nossos estômagos fracos e corações moles. As visões desagradáveis que tivemos nesta manhã nos levaram a várias longas reflexões. E, bem, isso é parte da viagem: vim, vi, refleti… e reagi. Algo assim…

O passeio da tarde, porém, contrastou um bocado com isso. Seu Sinésio, 87 anos, avô de Lucas e ancestral de uma larga linhagem de Sertânia, nos conduziu pelas suas terras numa caminhada arretada de relaxante. É só uma pena que a gente não conseguisse acompanhar o ritmo do vovô, a quem perdíamos de vista só de parar pra tirar uma foto rápida. Esbanjando vitalidade e agilidade, deixou os pirraia aqui comendo poeira.

As fotos são do matadouro, redoma de sofrimento e energia negativa, mas que todos devemos conhecer, especialmente se comemos carne, e do passeio pelas terras de Seu Sinésio. De brinde, uma vista da feira diária de Sertânia, logo aqui ao lado da casa de Tio Fernando e Tia Maria do Carmo.

Matadouro Público de Sertânia

Matadouro Público de Sertânia

Chão, poeira e música

Julho 11, 2008

São duas e cinco da manhã. Do meu lado, Guiminha tá brincando de aperriar Davi – quase dormindo – apertando as pernas dele. Davi, com os olhos vermelhos e meio sem entender o que acontece, olha pra mim acordando, fica sem entender nada, dá uma risada de sono e volta a tentar dormir. Lipinho tá vendo os vídeos de hoje e Manel tá todo abusado querendo dormir enrolado num lençol florido (mermão, a gente fez um pacto pra não comentar quem deixa de tomar banho mas eu aviso logo que todo mundo já passou do ponto aceitável de podridão de um porco). Do ponto de vista de conquistas, hoje achamos que a viagem se realizou. Quando planejávamos essa loucura, sonhávamos conhecer lugares e pessoas surpreendentes, descobrindo cantos, tocando e conversando com gente que jamais faria parte de nossas vidas mas que passariam a ser um importante pedaço dela. E abençoada seja a música. Na brenha, no meio da rua, no meio do nada, a música é, sem dúvida alguma, a linguagem mais unificadora que existe. Mas vocês acham que eu vou escrever mais? PUXA O FOOOOLE FÍ DE RAPARIGA!

Nóis e Zé Bezerra, Catimbau

Nóis e Zé Bezerra, Catimbau

Cyeldes Bilina, Sertânia

Cyeldes Bilina, Sertânia

Agradecimentos especiais pra tio Fernando e tia Maria do Carmo que deram uma infra fenomenal em Sertânia.

Catimbau da Véia Preta

Julho 10, 2008

Brenha fela da puta. Hoje sim! Embrenhados de verdade! Chão de terra, lajedo, chão de areia fina, muito mato, espinho, braço cortado, trilhas invisíveis, mistura de caatinga e mata atlântica, sertão verdinho. Pedra da Galinha, Morro do Cachorro, do Elefante, as Duas Torres, Lapiais. João Guia, arretado, foi guiando a gente mais de seis horas por 13 bizarros quilômetros acima, por cima e abaixo da serra.
Estamos extremamente cansados, mas com uma sensação muito massa de que tudo vale à pena. Cada passo, cada porrada nos galhos, cada escorregão nos lodos, cada espinho de macambira e bromélia furando a pele, cada peitica de Lucas e Manel, cada passada nos beijos-quente (eles chamam urtigas assim aqui), cada pingo de lama na calça, cada aranha e galho seco (que guiminha tem que fotografar).
Saibam vossas senhorias aí de Recife que os corações estão apertados pela saudade e a distância, mas em cada momento que passamos aqui pensamos muito em vocês aí.

 

destaque para a foto: CATIMBOYS

Catimboys

Catimboys

 

Nos Lapiais da Serra das Torres.

Nos Lapiais da Serra das Torres.

Indiana Jones

Indiana Jones

Casa forte – Arcoverde – Buíque

Julho 8, 2008

Boa noite a todos.

Em 8 minutos restantes de lan house, fica o nosso primeiro post sem muitos detalhes, só algumas fotos e a promessa de que muito e nem tão em breve escreveremos com todo carinho que vocês merecem.

No mais estamos bem, felizes, com frio para caralho na eleita Praga Nordestina (Buíque) e sentindo uma pontada de falta dos nossos amores.

 

 

Amanhã, Vale do Catimbau e Sertânia se tudo der certo e a gente acordar cedo.

Hello world!

Julho 8, 2008

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